O fantasma do desemprego

“Essa é a dança do desempregado, quem ainda não dançou, está na hora de aprender”

São versos da canção em que Gabriel O Pensador brinca com o assombro do desemprego, fantasma que acompanha todo trabalhador que não é funcionário público. De fato, ficar desempregado, isso mesmo, sem trabalho, o dia todo enfiado em casa, não é o tipo de desejo que o cidadão faz ao assoprar as velas de seu bolo de aniversário, mas, infelizmente, ele se realiza… Não interessa se você é alto, magro, gordo, cabeludo, careca… Nem os bonitinhos, nem os inteligentes estão imunes a ficar sem aqueles números, que nos tempos modernos, são creditados na conta bancária todo quinto dia útil.

“Com uma mão na frente e a outra atrás
E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)
E bota a mão na carteira (Não tem nada)”

Parece que ninguém gosta dessa situação, pois além disso ficar ressonando na mente, a própria sociedade cobra que a carteira de trabalho esteja assinada, sob pena de ser taxado de instável ou de vagabundo… como se fosse escolha do Zé Pistache, o gerente do HSBC, tornar-se Zé Ninguém.

“Vai porcurar mais um emprego (Não tem nada)
E olha nos classificados (Não tem nada)”

O mais engraçado é que no sistema em que estamos inseridos o desemprego não é nada sobrenatural, o porquê disso é que parece obscuro à compreensão humana. O fato é que sempre existe uma desculpa perfeitamente plausível para a não absorção da mão de obra no maravilhoso mundo do mercado de trabalho. Ela inclusive tem diversos nomes, um para cada tipo de trabalhador desesperado, quer dizer, desempregado:

Para o recém formado, bem como para o adolescente em busca do primeiro emprego, ela se chama Falta de Experiência; já pai de família de meia idade ela atende pelo nome de Idade Avançada; e, ainda entre muitos outros, o funcionário da multinacional-ambiciosa-que-não-quer-reduzir-os-lucros, ela atende pelo nome antipático de Crise Financeira.

“E vai batendo o desespero (Não tem nada)
E vai ficar desempregado”

E nesse batuque, o pessoal continua enviando currículo e buscando trabalho, acaba por fazer dessa busca um trabalho triste e sem remuneração. Ele se submete a sub-empregos, os quais muitas vezes mal cobrem o transporte, a free-lances, a escambos e a muitas outras situações que podem inclusive ultrapassar o limite da dignidade. Não dá pra perder a esperança, pois -desculpe a rima pobre – tem o leite da criança… e nessa busca, a única coisa que ele acaba desejando é não ter que viver o batuque d’O Pensador até o fim.


“E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)
E bota a mão na carteira (Não tem nada)
E não tem nada pra comer (Não tem nada)
E não tem nada a perder
E bota a mão no trinta e oito e vai devagarinho
E bota o ferro na cintura e vai no sapatinho
E vai roubar só uma vez pra comprar feijão
E vai roubando e vai roubando e vai virar ladrão
E bota a mão na cabeça!! (É a polícia)
E joga a arma no chão E bota as mãos nas algemas
E vai parar no camburão
E vai contando a sua história lá pro delegado
“E cala a boca vagabundo malandro safado”
E vai entrando e olhando o sol nascer quadrado
E vai dançando nessa dança do desempregado”

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