as palavras não são minhas

Hoje, deixo nosso Boca do Inferno falar por mim, afinal, me parece que ele consegue expressar melhor como me sinto:

Queixa-se o poeta em que o mundo vai errado, e querendo emendá-lo o tem por empresa dificultosa.

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco cos demais, que só, sisudo.

Gregório de Matos

Gregório de Matos Guerra,

Baiano arretado, como o próprio nome sugere, autor de sonetos de cunho político, social, cultural e até mesmo religioso, é um dos tetra-avôs da jovem Literatura Brasileira. Nasceu em Salvador por volta de 1636 e formou-se em Coimbra em 61. Mesmo em tempos longínquos, em que nosso país não possuía estrutura política muito organizada (não que hoje seja perfeita) conseguiu ser exilado, provavelmente para Angola. O motivo? Bem, se considerarmos o fato de que Gregório foi carinhosamente apelidado de “Boca do Inferno” e que ele adorava questionar o governador da Bahia, a razão de sua expulsão da pátria amada nos parece meio óbvia, mas nunca justa.

Ao nosso Boca do Inferno, nossos eternos agradecimentos!

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