Cantigas de roda para esperança no futuro

Há duas semanas, mais ou menos, uma amiga me liga estarrecida: “Menina, fui ao shopping pagar uma conta e você não imagina o que ouvi, um menininho cantando borboletinha…”. Por mais exagerada que a reação de minha amiga tenha sido, confesso que também me senti balançada, e isso me despertou uma certa esperança no futuro. Claro, pois se no meio de uma infância sedentária-obeso-desnutrida, ainda existem aquelas que cantam cantigas de roda, arrisco o palpite de que nem tudo se perdeu.

Se estamos vivendo em meio ao caos provocado pela ganância humano-econômica, que destruiu não apenas a natureza, como também a prática dos valores morais, e acabou de vez com a velha máxima “não faça aos outros aquilo que não quer que façam com você”. Ainda é possível encontrar crianças que cantam, pessoas que dão bom dia e motoristas que dão passagem ao pedestre e respeitam o ciclistas.

Isso pode não parecer nada, e de fato é muito pouco, quando falamos em frear e re-estruturar a sociedade com base em valores e práticas que respeitem o meio (e não me refiro unicamente aos humanos, que teimam em se achar superior às demais formas de vida). Tal freio não é esse discurso bonitinho de  “desenvolvimento sustentável” de que grandes grupos se utilizam, para alimentar ainda mais a sociedade do consumo e descarte, que gera toneladas de lixo ao dia. Estou falando de uma restruturação radical, porque essa história de fim dos tempos não é brincadeira não, só não vê quem não quer. E se nesse momento cada um de nós estiver pensando “eu faço a minha parte” é só olhar pro lixo de casa, que veremos que podemos fazer muito mais.

Nessa tarefa, as cantigas de roda, acabam sendo inclusive um auxílio ideológico aos bem intencionados. Se a borboletinha está fazendo chocolate, é porque ela se importa com a madrinha, e se importar com os outros é legal. Se não traz uma recompensa direta, embrulhada em uma caixa grande, traz o respeito dos demais em relação a nós. E respeito é o princípio de tudo. Posso não gostar dos gays, mas isso não me dá o direito de mal tratá-los e de deslegitimar seu movimento. Posso não gostar dos sem terra, mas tenho que reconhecer que a reforma agrária é necessária. Posso até achar o Hugo Chavez um maluco, mas não sou um venezuelano para dizer se a política do cara está ajudando ou não o seu país.

De modo algum quero soar moralista ou catastrófica, só quero convidar cada leitor a pensar sim em seu dia a dia, e buscar a felicidade além televisão de plasma. Será que vale a pena trabalhar tanto, fazer hora extra para se encher de prestações de móveis, carro e moto e não ver seu filho aprender a andar? Será que vale a pena criticar fulaninho pelas costas, se isso não vai mudá-lo e nem resolver seu problema com ele? Será que vale a pena nos empanturrarmos com comida industrializada simplesmente pela praticidade? Talvez, o melhor mesmo seja cantar borboletinha, enquanto encontramos o melhor jeito de reorganizar nossas rotinas e começar a resolver nossos problemas.

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  Um comentário sobre “Cantigas de roda para esperança no futuro

  1. Aline bezerra
    dezembro 12, 2013 às 12:09 pm

    CONCORDO QUE AS PESSOAS TEM QUE PARAR UM POUCO PRA PENSAR , MORREMOS E NAO LEVAMOS NADA , DESSA VIDA TEMOS QUE NOS AMAR MAIS…

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