Ritalina neles!

Não adianta, as percepções de vida, mundo e humanidade realmente só se formam com a maturidade. Quando somos crianças, muitas vezes temos pressa para nos tornarmos adultos para que ninguém mais mande na gente. E, por mais que essa autonomia no fim das contas seja ilusória,  talvez seja a única grande vantagem em ser adulto. Conforme subimos a montanha da vida, damos algumas olhadas para trás, e, se tivermos vivido intensamente cada etapa já superada dessa escalada, chegamos a conclusão de que, na medida do possível, estamos caminhando bem e nos tornando pessoas mais… complexas!

Quando estamos em sala de aula, percebemos como a maturidade facilita nossa relação com o mundo (e nessa hora outros aspectos positivos da idade adulta aparecem). Quando éramos crianças, entender conceitos abstratos como “o substantivo é uma palavra variável em gênero, número e caso…”, por exemplo, era algo que nos exigia empenho, exercício e dedicação. Agora, parece que, na maioria dos casos, uma única lida, ou uma boa explicação já nos permite ir além de conceitos, mas também estabelecer comparações, investigar os assuntos e relacionar temas.

Agora, o mais curiosos de tudo isso, é que com todo nosso profundo conhecimento e nossa grande facilidade de compreender as coisas rápido, na maioria das vezes buscamos as soluções mais simplistas e imediatistas para nossos problemas, sem projetar os resultados futuros de tais soluções. Explico.

Não é raro o professor que tenha mais de um emprego. E, por mais diferente que seja o perfil dos alunos, alguns esteriótipos estão sempre presentes: o quietinho, o respondão, o estudioso,  e claro o atentado e o avoado. O que varia é o modo como as instituições, e a comunidade escolar como um todo, lidam com essa diversidade estudantil. Nessas horas, os muitos empregos nos fornecem parâmetros comparativos.

Antigamente o atentado era mal educado, e o avoado era avoado mesmo, sem eufemismos. Hoje temos uma lista de transtornos, TDA, TDAH e assim por diante. E qual a solução mais prática? Ritalina! Doses diárias de Ritalina garantem que nossos alunos fiquem quietinhos em seus lugares e ainda prestem atenção na aula. Perfeito! Não poderia ser melhor! Outro benefício da droga é que em casa, seu filho também apresentará melhoras. Claro, afinal ele está drogado!

A questão é que, elencados ou não, esses problemas sempre existiram, e continuarão a existir, e o modo como a sociedade caminha para enfrentá-los me obriga a retomar o questionamento acima: quais os resultados futuros na saúde dessa geração Ritalinada?! O que vemos por aí, é que o aluno um pouco mais agitado já é encaminhado para uma análise da qual proverá um laudo e a prescrição de uma droguinha que ajuda na concentração. Doses diárias de um sossega leão e o problema está resolvido. E ai do pai que ousar interromper o “tratamento”! Sem os efeitos da droga, os problemas voltam! Isso tudo é desesperador! Estamos formando uma geração ainda mais doente que a atual. Já não basta a dieta cada vez mais industrializada, agora surgem os remédios para completar o pacote?

O mais intrigante é que esses laudos nunca indicam coisas simples como: diálogo dos pais com os filhos, abraços apertados, 8 horas de sono, alimentos ricos em cálcio, ferro e vitaminas, leitura e exercícios físicos que exijam concentração como Ioga e artes marciais… Não sou médica, também não sou mãe, sou uma professora extremamente preocupada com a saúde física e anímica de meus alunos. E de uma coisa tenho certeza: medidas alternativas à drogas sintéticas certamente nunca farão mal nem para o fígado, estômago, pulmão, mente e coração de nossas crianças!

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