A ficção científica e a literatura fantástica

Histórias de ficção científica não são nenhuma grande novidade em nossas vidas. Quem nunca assistiu a um filme em que a máquina fosse algo tão central quanto o homem? Não faltam exemplos na indústria hollywoodiana: Eu robô, O exterminador do futuro, Matrix, isso sem falar em clássicos adaptados da própria literatura como Viagem ao centro da terra, ou 20 mil léguas submarinas.

O que talvez muitos de nós não saibamos é que a maior parte de toda produção cinematográfica de ficção científica é inspirada direta ou indiretamente na literatura. E de onde surgiu esse estilo? Como e porque artistas e intelectuais começaram a produzir obras em o futuro da humanidade e do planeta estão tão intrinsecamente ligados à máquina e a ciência? Falarei um pouco sobre isso nas linhas a seguir. Depois abordarei um outro estilo literário que dialoga com a ficção científica: a literatura fantástica.

O século XIX foi repleto de avanços científicos e foi bem nessa época que começou a surgir a “era tecnológica”. Como naquele tempo estudiosos da ciência e literatos (aqueles que produzem literatura) eram pessoas do mesmo grupo, ou seja, não é porque você era cientista que não era artista e vice-versa. Um exemplo disso é o pintor Leonardo da Vinci, que foi um grande matemático. O que aconteceu então foi o seguinte: os estudiosos começaram a passar para seus romances as experiências e as descobertas da ciência. O que acabou fazendo que por vezes a literatura promovesse reflexão e interpretação em relação aos desenvolvimentos tecnológicos.

A obra A bruxa de abril e outros contos, de Ray Bradbury aborda a relação sociedade-tecnologia como algo ambivalente, ou seja, que pode ser bom ou ruim. Caberá a vocês demonstrarem como a tecnologia aparece nesses contos!

Mas o que é tecnologia afinal? Em poucas palavras, tecnologia não são os aparelhos que acompanham nosso cotidiano (celular, computador, vídeo-game) esses nada mais são que os artefatos que a tecnologia gera. A palavra tecnologia vem de técnica, ou seja, em uma definição simplista tecnologia seria tudo aquilo que o homem desenvolve para se relacionar com o meio. Assim sendo, desde coisas simples como uma caneta ou um garfo estão carregados de tecnologia. Mas vale frisar que mesmo vindo de “técnica” o termo tecnologia surgiu com o desenvolvimento das máquinas e da produção em série. Para finalizar essa parte do texto, coloco uma citação que poderá servir no trabalho com o conto A savana: “um sistema tecnológico dirigido exclusivamente pelo consumo cria um mundo em que o “ser” é substituído pelo “ter”…” (ALVES, 1988, p.105)

Nessas últimas linhas, abordarei rapidamente o estilo fantástico. De acordo com o teórico Tzvetan Todorov o “fantástico é a vacilação experimentada por um ser [leitor ou personagem- grifo meu] que não conhece mais que as leis naturais (TODOROV, 1981, p.22) Ou seja, uma obra literária dialogará com o fantástico a partir do momento em que ela para apresentar aspectos que fujam do “normal”, do comum, e isso gerará a dúvida (tanto no leitor como no personagem) sobre a possível veracidade dos fatos narrados/vividos. Para que o fantástico ocorra, precisa-se então de uma integração do leitor com o mundo dos personagens. “A vacilação do leitor é a primeira condição do fantástico” (idem, p. 27) por isso é necessário que o leitor se deixe levar pelas bruxas, duendes, vampiros e universos paralelos que existem nessas obras, caso contrário ele quebra a possibilidade do “e se?” e, consequentemente, acaba com a magia da obra.

Referências:

ALVES, Rubem. Tecnologia e humanização. Em: o enígma da religião. Campinas: Papirus, 1988.

IACHTECHEN, Fabio Luciano. Gênero utópico e o discurso científico na ficção de H. G. Wells. Curitiba: UTFPR, 2008. Dissertação de Mestrado.

TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. México: Premia Editora, 1981

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  2 comentários sobre “A ficção científica e a literatura fantástica

  1. agosto 1, 2011 às 7:02 am

    e falando em literatura fantástica… e relacionando ao livro que tô lendo… http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/09/09/o-aleph-jorge-luis-borges/ – fantástico 😉

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  2. Marco Amarelo
    julho 31, 2011 às 2:01 pm

    Muito bom o texto Mirani!!!!!!!!!! Só faltou citar a literatura fantástica na América Latina e o glorioso Gabriel García Marquez que eu amo. Muito legal, gosto muito dos seus posts.

    Beijos e saudades de ti!

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