Um passeio por dois capítulos da História*

Os capítulos O mundo na década de 1780, A revolução industrial e A revolução francesa são os três primeiros da obra A era das revoluções 1789-1848, de Eric J. Hobsbawn. O primeiro assume a função de ambientar o leitor para as discussões a serem levantadas no livro. Apenas nesse primeiro capítulo a carga de esclarecimentos já é estimulante pois desconstrói uma antiga visão, aquela aprendida na escola, acerca das revoluções Francesa e Industrial e das condições históricas que possibilitaram seus acontecimentos.

Como grande parte dos textos históricos, o trabalho de Hobsbawm é bem descritivo, cheio de informações e pormenores, como por exemplo o Decreto das Cercas, a lei que forçava o êxodo rural. Mas, apesar da densidade de informações, a leitura é bastante agradável.

No segundo capítulo, Hobsbawn trata da revolução industrial britânica e esclarece como um fenômeno local interferiu na vida de todo o ocidente, como por exemplo o algodão produzido por mão de obra escrava da América Latina. Um outro aspecto destacado é a estreita relação entre a revolução industrial, a consolidação do sistema capitalista e o avanço da classe burguesa. Ainda nesse capítulo, o leitor encontra explicações sobre as crises econômicas, geradoras de desemprego, bem como a decadência, não estou certa de que este é o termo, da indústria têxtil, especialmente após o ano de 1915. O desenvolvimento técnico, como a indústria e a ferrovia, e sua relação em todo esse processo também é destacado no capítulo.

No terceiro capítulo, o que trata da Revolução francesa, o autor indica que os ideais políticos e ideológicos da época estão intimamente ligados à Revolução francesa, e nesse momento, vemos que a ideologia afetou os outros mundos, especialmente o antigo, mais profundamente que a economia britânica. Na escola aprendemos que a Revolução francesa foi a revolta do povo, e por isso deu certo. Hobsbawn desmistifica essa visão ao ser enfático que o movimento foi burguês, e que o seus principais interesses eram próprios, não eram assim tão sociais, e que os fenômenos que culminaram na Revolução estão ligados a crise governamental e à decadência dos privilégios aristocráticos.

Certamente ainda há vários aspectos que merecem destaque, não apenas nos três primeiros capítulos, creio que seja na obra como um todo. Mas o espaço é pouco, gostaria apenas de destacar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos  bem como a Declaração do Homem e do Cidadão são frutos dessa burguesia revolta. A massa, não era o foco dessa disputa. Esta, como o próprio autor indica, recolheu-se ai descontentamento ou “a uma passividade confusa e ressentida…” (p.89)

Resenha dos capítulos “O mundo na década de 1780”, “A revolução industrial” e “A revolução francesa” da obra A era das revoluções: 1789-1848, de Eric J. Hobsbawn.

*Resenha para a disciplina Dimensões sócio-culturais da tecnologia – PPGTE/ UTFPR

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