Sujeitando na pós-modernidade*

Ainda me lembro da sensação que ficou em mim na primeira vez que li a obra A Identidade cultural na pós-modernidade, de Stuart Hall  foi como se estivesse me encontrando com diversas questões de nosso cotidiano que estão postas mas que raramente paramos para pensar sobre elas, como por exemplo, a noção de sujeito, tema central desse trabalho de Hall.

Desde os primeiros anos de nossa vida, e acredito que por ela toda, aprendemos a nos conhecer e a conhecer o outro. Passamos toda a vida conhecendo os sujeitos que somos. Mas como a ideia de sujeito parece estar posta, raramente, salvo momentos específicos, teremos a oportunidade de questionar essa noção, ou sequer pensar sobre ela. Para nós parece perfeitamente aceitável a ideia de sermos diferentes de acordo com o espaço ou a situação a que estamos expostos. O sujeito em seu espaço de trabalho terá características diversas do sujeito pai de família, e isso em nada impede que ele seja o mesmo indivíduo, e nem é uma questão de personalidade.

Hall discute essa questão, e desconstrói a aparente obviedade dela ao demonstrar que historicamente nem sempre foi assim e que essa noção de sujeito fragmentado está intrinsecamente ligada à pós-modernidade, ou a modernidade tardia, como ele diz. Apesar de se tratar de uma obra curta, um azulzinho, como muitos dizem, seu conteúdo é denso e muito escarecedor sobre nossa atual condição. A sensação que fica após a leitura é que alguma coisa a mais agora faz sentido.

Dividido em seis capítulos, subdivididos em tópicos, a obra – como o próprio título indica – discute as questões acerca da identidade (ou da busca dela) no mundo pós-moderno globalizado. Os capítulos Identidade em questão e Globalização me parecem os mais esclarecedores, pois no primeiro Hall trata das noções hstóricas de sejeito: sujeito do Iluminismo; sujeito sociológico e sujeito pós-moderno, o sujeito fragmentado. Além de introdório para a reflexão é esclarecedor para a materialização da noção de sujeito. O segundo capítulo que destaco, Globalização, é importante pois o autor relaciona como essa fragmentação do sujeito está relacionada ao momento histórico contemporâneo, que é a pós-modernidade e o processo de compressão do tempo e espaço (proposta por Davd Harvey em outra obra avassaladora, A condição pós-moderna) do processo a que chamamos globalização.

* resenha apresentada à disciplina Dimensões sócio-culturais da tecnologia – PPGTE/ UTFPR

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. RJ: DP&A editora,2000.

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