Academia não é pra ficar forte.

A partir do momento em que a gente se propõe a encarar um mestrado aparentemente estamos assumindo um compromisso de sermos estudiosos para o resto de nossas vidas, ou pelo menos parece que deveria ser assim. Se a intenção do sujeito não é seguir estudando ad infinitum então faça a graça de cursar uma pós latu sesu e deixar a academia em paz.

Porém, é comum ouvir pelos corredores murmurantes da universidade frases que demonstram que no fim das contas, as pessoas estão pouco comprometidas com o debate (e as práticas que ele propõe) e o que interessa mesmo é ter mais um título para “ganhar mais”. Desde os primeiros anos escolares estudamos pouco, e tendemos a levar essa prática por toda a nossa vida. Costumamos confundir estudar com ir à escola. Porém, mesmo que culturalmente a coisa funcione assim, parece urgente que comecemos a fazer diferente, precisamos mesmo assumir o compromisso de fazer pelo menos o mínimo direito. Falo isso também por peso de consciência. Peco bastante, já fui pra aula sem ter lido os textos, e não foi só uma vez (vergonha…) Mas tem uma coisa que ferve em mim, sou mesmo apaixonada por história e sociedade, estou muito certa de que esse processo que se iniciou no mestrado vai me acompanhar pra sempre.

As razões que nos levam ao mestrado e ao doutorado não devem nunca ser a busca do título apenas para benefício próprio, mas o comichão do questionamento, da transformação. Recentemente o prof. Dr. Domingos Leite Filho lançou um livro, organizado por ele, cujo título levanta uma questão seríssima: Trabalho e formação humana: o papel dos intelectuais e da educação.

Composto de cinco artigos, um de autoria do prof. Domingos, a obra crava a unha na ferida intocada da academia: o academicismo. Ao colocar no centro do debate o papel social do intelectual, a torre de marfim do academicismo tem suas máximas questionadas. Trabalho e formação humana apresenta suas reflexões a partir da obra de Antonio Gramsci e coloca diante do leitor a noção de que cada ser humano é um intelectual. Porém ele só passa a exercer essa intelectualidade quando toma a consciência crítica do mundo.

Sendo assim, parece que o mínimo que se espera de um estudante no mestrado e doutorado é que ele tenha essa consciência, que ele assuma o papel de intelectual não pelo glamour do título, mas pela responsabilidade que ele acarreta. Temos a obrigação social de, pelo menos, discutir e questionar a sociedade e suas estruturas. Precisamos assumir esse papel questionador, rever nossos conceitos, pois se continuarmos a acreditar que ao pegarmos nosso novo título as discussões estão encerradas, talvez seja melhor nem começarmos a investir nosso tempo nisso e ficar mesmo no grupo que chegam em casa e simplesmente penduram as chaves.


LIMA FILHO, Domingos Leite (org). Trabalho e formação humana: o papel dos intelectuais e da educação. Curitiba: Editora UTFPR, 2011.

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