Precisa por título?

Muitas vezes nos vemos diante de momentos em que, mesmo sob uma aparente normalidade, nosso íntimo está aflito. Nessas horas, a sensibilidade dos grandes escritores parecem ser um dos recursos disponíveis aos nossos questionamentos. Lendo Lucíola, acho graça da caricatura de nossa sociedade, que ainda mantém certos dogmas quase dois séculos depois, mas também me encontro na idealização do amor. Como a gente idealiza, né?

Em um entardecer, ou numa manhã, a gente olha para alguém, um ou vários,  e de repente começa a amar. De modo totalmente involuntário. E nos olhares e gestos dessas pessoas, a gente interpreta, sob a chance de parecer ridículo, aquilo que a nossa leitura nos permite ver. O amor que surge, se constrói. E não adianta tentar falar que esse negócio de amor construído não existe, porque não é verdade. Existe sim. Aliás, o amor tem que ser sempre construído, tem que estar sempre em reforma, sem pausa alguma. Se por acaso você esquecer… O amor não morre, mas diminui, mesmo que involuntariamente!

E nessa hora, a gente começa a vasculhar o armário do peito e da memória para tentar achar em que canto enfiamos tanto amor. Nossa, que tarefa difícil. Acho que prefiro calcular juros composto. Mas nisso também não sou muito boa, vou trocar juros por período, isso, período composto, aí a coisa clareia. Talvez essa seja a solução, buscar na língua e na linguagem os gestos e as palavras necessárias para retomar a obra eterna do amor.

Adolescentes sabem viver os conflitos do coração com mais sabedoria que os adultos. Eles são livres para isso, não tem de ficar colocando tapumes diante de suas angústias. “Amar alguém também é deixar ir… mesmo que doa” twitta a adolescente apaixonada. E os adultos, fazem o quê? Focam no trabalho, surtam, se matam, ou matam, ou os dois.

Buscar respostas não é tão fácil quanto buscar uma encomenda na portaria. Nesses momentos os versos dos Los Hemanos “se o que eu sou é também o que escolhi ser, aceito a condição” não são o suficiente, e Cecília Meireles vem martelar: “em qual espelho ficou perdida a minha face?” mas não ajuda a encontrar respostas… Elas teimam em não vir…

Sim, viva o vácuo!

 

 

Anúncios

  3 comentários sobre “Precisa por título?

  1. abril 17, 2012 às 3:35 pm

    Nossa prof…
    Nem li o texto >.< mas gostei da foto viu?
    (:

    Curtir

  2. Fernanda J. S.
    março 8, 2012 às 7:15 pm

    uau!…Esse foi bem profundo…Gostei muito!!

    Curtir

    • Miraní Bertanha
      março 8, 2012 às 11:21 pm

      Obrigada!

      Curtir

O que você tem a dizer sobre isso? Fale mais...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: