A falta de amor e o discurso do ódio

Menina-Coracao

Após o período eleitoral a gente tem a oportunidade de conhecer, ou revisitar, os valores arraigados em nossa sociedade, e a cada novo processo o que vemos uma “involução”, uma evolução retrógrada do pensamento (e sentimento) humano e de nossa postura diante do mundo. O discurso do ódio e da opressão avança a passos largos enquanto a bandeira do amor está cada vez com menos mastros disponíveis. E se o leitor discorda, pedimos que se desarme e tente entender o que está sendo dito nesse texto. Pense, sinta, escute seu coração. A ideia não é acusar esse ou aquele político, internauta ou partido, não mesmo, a ideia é nos vermos por dentro!

Vamos discutir a origem dos nossos preconceitos: por que não gostamos de nordestino, por que não aceitamos o Lula, por que julgamos o outro pela aparência, por que muitos não deixam o filho brincar com o filho da empregada, por que somos contra cotas, por que gostamos de filmes de horror, que tem pessoas sendo torturadas… por que não nos chocamos diante das tragédias do mundo?

Será tão difícil assim perceber que aquele ser humano para o qual nesse exato momento estamos apontando nosso dedo e jogando sobre ele todo juízo de valor poderia por um acaso do destino ser VOCÊ! E se você fosse o alvo do ódio, e se você fosse a empregada chamada de burra nas redes sociais, e se você fosse o beneficiário do bolsa família chamado de vagabundo, e se fosse você o personagem torturado no filme, e se fosse você o infrator preso nu pelo pescoço em um poste? Como você se sentiria diante das reações preconceituosas e raivosas que pipocam por aí?
Obviamente surgirão as mais diversos tipos de reação do tipo “eu não roubaria”, “eu não preciso de bolsa família”, “o Lula é ladrão”, “eu não tenho culpa da burrice da minha empregada”. E diante desse tipo de argumento ficará claro a nossa incapacidade de nos colocar no lugar do outro sendo o outro: será mesmo que se sua história de vida fosse exatamente como a da sua empregada, do cidadão miserável, ou do menor infrator você agiria diferente dele? Pode ser que sim, mas dificilmente, isso por que aquela ideia defendida por Rousseau de que “o homem é produto do meio” é atual. Claro que temos o nosso livre arbítrio, mas até mesmo para exercê-lo precisamos de liberdade, de oportunidade, e como alguém totalmente sujeito à violência, a falta de estrutura familiar, tratado o tempo todo como lixo social vai encontrar uma outra opção?! Isso em relação à marginalidade, mas esse é o menor de nossos problemas, que está abarcado em uma outra questão: o preconceito de classe.

De onde veio a infeliz ideia de que por que temos mais dinheiro que alguém, nascemos em outra região do país ou do mundo, temos outro tipo de vida e acesso e outra cor de pele somos melhor que o outro, assim como aquele que gostamos de julgar, também somos fruto do meio, e se estamos todos no mesmo meio, talvez tenhamos muito mais em comum do que queremos reconhecer. Não há nada mais primitivo e irracional que isso!

A bancada eleita tanto na Câmara Federal, Senado e muitas Assembleias Estaduais aponta que estamos tentando buscar o caminho mais curto para tentar resolver as questões de nosso mundo, estamos pegando atalho no caminho da opressão ao invés de optar pelo diálogo, pela educação. Simplesmente suprimimos nossa capacidade de nos colocar no lugar do outro, e achamos mesmo que a redução da maioridade penal, por exemplo, é a solução da violência sem refletirmos que tipo de gente será automaticamente condenada por isso, afinal, os atingidos serão, novamente, os mesmos.

Não temos culpa dos problemas dos outros. Tudo bem, podemos não ter culpa mas devemos ter compreensão, sensibilidade, pois o coração que bate no peito dessas pessoas é exatamente igual que está dentro do seu! Veja bem, não está se defendendo a criminalidade ou qualquer outra mazela social, o que pedimos aqui é um pouco de AMOR. Temos que nos esforçar em buscar soluções que agreguem, que façam a sociedade feliz e justa, não ao contrário, não adianta tentar sufocar os problemas que uma hora eles nos engolem, temos que resolvê-los, mesmo que isso demore mais!
moca-coracao

Não precisamos da bancada da bala, nem dos conservadores religiosos, vale lembrar que Jesus nunca julgou ninguém, ele, sendo parte de DEUS sempre soube aconselhar e ajudar aqueles que sofrem, independente de classe social ou história de vida, chegando muitas vezes a chamar a atenção de seus discípulos pela intolerância demonstrada por eles. Precisamos é de bancada da educação, bancada da proteção da infância, por que ao invés de discutirmos redução da maioridade penal não discutimos redução da maioridade laboral, da inclusão de políticas públicas que incentivem as empresas, através de benefícios fiscais, a empregar aprendizes em turnos mais curtos a partir de 14 anos e que estejam estudando!? Vamos, ao invés de marginalizar ainda mais, vamos integrar, e quem tem que fazer isso é o Estado através de políticas públicas, e certamente, a bancada da bala não está interessada nisso!

Vamos todos rever nossos conceitos, escrafunchar as feridas e rever os preconceitos, vamos amar, por favor!

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  2 comentários sobre “A falta de amor e o discurso do ódio

  1. janeiro 8, 2015 às 9:42 am

    Olá Mirani! Que lindo texto. Me sinto representando, me sinto instrumentalizado para combater ainda mais o ódio injustificado das pessoas.

    Queria só pontuar que acho que faltou um verbo “é” logo nas primeiras frases do texto: “… e a cada novo processo o que vemos (é) uma involução.. ” certo? – desculpe a chatice! 🙂

    O poder das palavras me inspirou, segue um trecho de um texto que acho que soma no pensamento:
    https://diegorojas.wordpress.com/2015/01/08/alain-badiou/

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    • Miraní
      março 23, 2015 às 7:23 pm

      Olá Diego,
      obrigada pela correção! ;D

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