Marina Silva e seu anúncio de apoio, ou a morte prematura da nova política

Marina Silva fez hoje o que se esperava desde segunda-feira, dia 06, anunciou, do alto de sua torre de marfim o apoio a Aécio Neves. Como dito, era esperado que ela fizesse tal anúncio, sob a justificativa de que “o povo pediu mudança nas urnas”, e, do jeito Marina de ser ela não poderia ter declarado tal apoio junto com o Rede, tampouco com o PSB, ela tinha que fazer isso sozinha, afinal, ela é única!

Imagem extraída do site do SINDESP e editada.

Imagem extraída do site do SINDESP e editada.


O que ocorre, e imaginamos que Marina saiba disso, é que apoiar Aécio no segundo turno mesmo tendo adotado a linha argumentativa da “mudança” vai contra aquilo que ela pregou desde o começo. Ora, se Marina se declarava a terceira margem do rio, tendo durante todo o primeiro turno dito que ela significava o fim da polaridade PT e PSDB se juntar a qualquer um dos polos agora é jogar na lata do lixo seu projeto político, se é que ela o tem.

Ela afirma que seu apoio se deu devido a carta que Aécio escreveu para o papai Noel e divulgou ontem junto com a família do finado Campos, uma carta linda, que Aécio promete praticamente ser o governo do PT tamanha a preocupação social do garoto. E com toda essa preocupação social ele não abriu mão da redução da maioridade penal, nada mais humano que isso. Mais estranho que o PSDB se comprometer com a reforma agrária, demarcação de terra indígena, e compromisso com a sustentabilidade é Marina acreditar nisso! Parece que o partido em questão nunca foi governo. A justificativa da “alternância do poder” também cai por terra, se tivermos em vista, por exemplo, que o partido de Aécio tem A MESMA PESSOA indo para o QUARTO MANDATO em São Paulo, sim minha gente, Geraldinho Alkmin com todo seu carisma está indo para o quanto mandato no estado mais conservador do país!

O PSDB nunca soube dialogar com os movimentos sociais, que o digam os professores do PR que puderam conhecer de perto o poder de uma cavalaria nos tempos de Álvaro Dias. E para não ficarmos no passado, vamos retomar a célebre frase de Alkmin após uma invasão truculenta da polícia em uma favela de SP que matou diversos TRABALHADORES: “quem não resistiu está vivo”. A violência ao MST e indígenas na era FHC ilustram capítulos sangrentos da nossa história, como esquecer a matança no Eldorado dos Carajás, por exemplo? Quem não se lembra da ocupação do MST a uma fazenda de FHC? Certamente não estavam lá para tomar uma cerveja com o então presidente.

Ao apoiar Aécio, Marina pode ter feito o que a maioria de seus eleitores e aliados queriam, não há dúvidas, mas mais do que isso, ela acabou com o próprio discurso, com a bandeira levantada pela nova política, que levou uma parcela significativa de pessoas a votar nela no último dia 05 e nesse momento se sentem órfãos! Marina Silva, hoje, declarou abertamente que ela não representa nada de novo, de novo. Além, claro, de não respeitar a própria história, pois ela mesma, cinco meses atrás afirmava que PSDB cheirava à derrota, mas isso deve ter muito mais a ver com seu grande ego que com política.

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