Os caminhos da disputa presidencial: qual seguir?

Novamente venho escrever sobre política, pode ser que eu não seja a pessoa mais recomendada para discorrer sobre o assunto, devido a minha formação acadêmica, mas os colunistas da Veja também não são cientistas políticos e têm o direito de sair soltando suas ladainhas por aí. Se eles podem, eu posso também, até por que, diferentemente do jornalismo panfletário praticado por eles, busco formar minhas opiniões em dados, e sustentá-las à base de argumentos sólidos não pela desqualificação do debate alheio. Como professora sempre disse aos meus alunos que eles tinham o direito de debater sobre qualquer coisa, desde que argumentassem direito, é isso que tento fazer nessas linhas: argumentar.

Em meio ao meu frenesi político desencadeado pelo período eleitoral tenho me assustado com a agressividade discursiva (e muitas vezes físicas) vindo, infelizmente, da direita. Digo infelizmente pois se viesse dos dois “lados” da força poderíamos relativizar as coisas com mais facilidade, porém o ódio de classe é nutrido pela elite branca e classista da qual faço parte, e em nome deles quero pedir desculpas a toda a sociedade pois em meio a todo esse caos, é lamentável que ainda fomentemos o ódio e a violência, seja lá por qual motivo!

O leitor, caso haja, pode nesse momento estar se inflando. Calma, amigo, permita-me explicar meu ponto de vista, vamos para isso retomar alguns fatos:
– Gregório Duvivier foi xingado em um restaurante da zona sul carioca após ter declarado voto em Dilma;
– Um CADEIRANTE foi agredido e quase JOGADO de sua cadeira de rodas por ele estar com um adesivo de Dilma na roupa;
– ainda não vi nenhum adesivo “Fora Aécio, e leve o PSDB junto” mas vi vários dizendo “Fora Dilma”;
– ouvi algumas vezes afirmarem que “sou louca” de votar no PT;
– centenas de comentários agressivos à Dilma no facebook, tendendo inclusive à intolerância e machismo;
– posts do tipo: “só burro vota no PT”; “vamos esterilizar todas os beneficiários do bolsa família” pipocaram nos últimos dias.

E tudo isso me faz pensar de onde vem toda essa agressividade gratuita? Será que é tão difícil encontrar a humildade para entrar em um processo de reflexão e autocrítica? Penso que sim, pois todas essas pessoas que disseminam esse ódio certamente amam alguém! Será tão difícil olhar para as pessoas que amamos e imaginá-las sendo as vítimas da nossa própria ignorância? Pois imagino que se tivéssemos essa sensibilidade começaríamos a nos desarmar do ódio e pensar no diálogo, no amor, na igualdade!

Dia 26 votarei em Dilma, não por que simpatizo com o PT e acredito na honestidade integral de todos os seus membros. Não tenho essa ilusão, tem sim gente desonesta lá dentro, assim como em todos os lugares! Dia 26 votarei em Dilma por que ela, apesar de ter apanhado da mídia durante o seu mandato, tendo sido tratada inclusive com desrespeito (assim como aconteceu com Lula), nunca perseguiu nenhum órgão de imprensa ou jornalista. Voto nela pois é a primeira vez em nossa história que se olha para a Educação, como professora tenho essa consciência, mas dia 26 voto em Dilma pois ao lado dela estão todos aqueles que admiro: Chico Buarque, Zeca Baleiro, Marcelo Freixo, Marilena Chauí, entre muitos outros. Também voto em Dilma por que ao lado dela estão os movimentos sociais, os líderes culturais, aqueles que sonham, aqueles que escrevem, aqueles que leem!
nao-entendo-de-politica-mas-de-gente
Não voto em Aécio não por ser filho da elite que sustentou a ditadura apenas, não voto porque ele é covarde, porque agrediu mulher, porque esse casamento com uma Barbie e um casal de gêmeos (provavelmente de proveta) são vítimas de uma “construção” de um candidato que representa o sonho de vida que está no imaginário coletivo: a família de margarina, e através dessa imagem torpe ele brinca com os sonhos das pessoas humildes. Não voto em Aécio porque sou absolutamente contra a redução da maioridade penal, porque sou contra a cobrança de mensalidade em Universidades Públicas, assim como sou contra a superlotação das salas de aula da educação básica, prática recorrente em governos do PSDB. Não voto em Aécio porque o PSDB foi governo por 8 anos e não investiu em educação, não valorizou o professor (quem instituiu o piso da categoria foi o governo Lula em 2008), não melhorou a saúde como eles insistem em dizer. Não voto em Aécio, por fim, por que ao lado dele tem todo aquele tipo de gente que eu nunca quero ser igual: Malafaia, Bolsonaro, Alexandre Frota, Dado Dolabella, Everaldo (o que foi candidato a presidente), gente tosca e insensível que dissemina o ódio e a intolerância. Tem também Luciano Hulk, e outros “artistas” que arrisco dizer sequer tem percepção formada de algum conceito de arte, como Zezé di Camargo, que parece já ter se esquecido das dificuldades que as pessoas da classe de onde ele veio passam todos os dias!

Não voto em Aécio e espero que ele não ganhe por que quero acreditar que no nosso Brasil temos muito mais Chicos, Zecas e Marilenas que Frotas e Bolsonaros!

Anúncios

O que você tem a dizer sobre isso? Fale mais...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: