Devaneios sobre um amor perdido

Em uma noite de insônia qualquer, encontrei numa dessas páginas de facebook o seguinte texto, como não tinha autor, não dou os créditos:

Quando você me deixou senti uma dor como há muito não sentia e a primeira coisa que fiz foi te odiar. Mas o ódio durou apenas alguns minutos, logo ele se transmutou em confusão. Não conseguia compreender como em um dia estamos falando em futuro com uma pessoa que há pouco conhecemos e no instante seguinte não há mais o que ser dito em qualquer tempo verbal.

Fiquei pensando sobre aquilo, quem nunca odiou alguém que pensava amar? Passada as primeiras horas de uma decepção, o que a gente mais quer é que esse sentimento morra logo. Aí que começa a sucessão de erros, depois de muitas lágrimas a gente decide que ignorar a ferida é a saída, quem sabe assim ela mofa. Burrice! Sono conturbado, falas sozinhas, tudo isso passa a ser maior que nossa própria existência. Dor mofada além de tudo, fede! Quando a gente se dá conta está em uma profunda tristeza, com o coração mais apertado e magoado que no momento em que odiamos quem nos feriu. Coração machucado dói como se tivesse um espinho inflamado fincado no peito que a cada respiração nos faz lembrar que está ali. A dor é involuntária. É assim com todo mundo.

Ficamos nesse caos emocional até que em uma noite qualquer, a gente entende que a dor de um amor acabado passa por algumas etapas antes de virar uma cicatriz. E não cabe a nós a escolha de pular essas etapas tampouco controlar o tempo que vai durar cada uma delas.  O respeito à própria condição é o primeiro passo de uma vida bem resolvida. Sim, estou ferida, e vou esperar essa dor passar, sem fugir dela mas também sem alimenta-la. Havemos de reconhecer novamente, assim como tudo na vida, que graças ao tempo, tudo passa. Nessa hora, mais uma vez a estupidez quer se sobrepor à inteligência e desejamos que o tempo passe rápido. Penso que a gente é assim por que temos muita dificuldade em entregar a nossa vida nas mãos do destino.

Reconhecer que não temos o controle de tudo é reconhecer nossa ínfima importância diante do mundo. Mas é isso que somos: pequenos. E quem está buscando o sentido da vida para além das coisas materiais rapidamente percebe: somos pequenos, amigos, por mais que possamos, muitas vezes, ser o mundo, ou parte importante do mundo de alguém – o que talvez nos faça grandes para nosso meio, continuamos ínfimos perto do todo da Criação. E, por favor, sejamos humildes de reconhecer que isso é bom.

Devaneios postos, voltemos à burrice humana. Por alguns instantes, ao constatar que é preciso passar pelas etapas do luto e do distanciamento até chegar a compreensão e à indiferença de o tudo que foi, lembramos também de uma lei do Universo, a lei do retorno. Tudo volta nessa vida, meus caros. Sempre teremos que nos acertar com os sentimentos que ficaram abertos. Quando repassamos histórias da nossa vida percebemos que sempre nos é dada a oportunidade do resgate de algo que deu errado um dia. É nessa hora que desejamos que tudo passasse rápido, para que quando você voltasse eu ainda te amasse. Mas que tolice! Não está na nossa mão o controle remoto dessa história. Seu encaminhamento cabe aos fios do destino, e só a ele. Temos é que passar sebo nas canelas e caminhar, esperar pelo retorno de alguém é o mesmo que passar merthiolate sem ter tirado o espinho do peito.

Se ele vai bater na sua porta, te escrever um e-mail, te ligar ou se nunca mais dará notícias não está no escopo do nosso livre arbítrio, só o que podemos fazer é tocar o barco, e tentar pelo menos, controlar os remos enquanto navegamos pelo destino. Sem esperar nada desse futuro que virá. Entregar, confiar, aceitar e agradecer pelo que tenho e pelo que há de vir é só o que está em meu controle fazer. Encarar os fatos é necessário: hoje ainda sentimos, mas isso também vai passar, assim como a dor, como a saudade. O buraco da perda cabe a cada um tampar. Esse trabalho deve ser lento, sólido e completamente solitário, somos os únicos que podemos curar nossas feridas.

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