Dois filmes para o Dia da Consciência Negra

Oiiii!!

Como dizem por aí, você não precisa fazer parte de um grupo para entender o que ele passa, empatia bastaria para acabar com vários absurdos da nossa sociedade. Machismo, racismo, homofobia, xenofobia, gordofobia e intolerância religiosa, por exemplo, não seriam questões tão sérias se soubéssemos mais sobre o amor. Mas a gente tem aprendido muito mais a odiar que a compreender. E isso, para ser bem moderada no discurso, é muito chato, mesmo.

Em 20 de novembro é o Dia da Consciência Negra, em um país com passado (?) escravocrata esse dia deveria ser um dos mais importantes do nosso calendário. O Colcha de Ideias não se furta do debate e cá estamos com dois vídeos no Canal com três garotas phodásticas e por aqui, dois filmes para nós, brancos, aprendermos um pouco sobre o que é ser negro em um mundo racista!

Esses dois filmes são providenciais para o dia, especialmente para quem acredita que não existe racismo e que isso já está superado! A notícia ruim que tenho para dar é que não está não, em um país com 53% da população sendo negra, apenas 2% deles estão na universidade e naquele 1% dos mais ricos, apenas 17% são negros, e são também os que mais morrem, 74% das vítimas de homicídio são negros. Dá um Google aí, mas antes, vamos aos filmes!

 

1. Bem-Vindo a Marly-Gomont / Bienvenue à Marly-Gomont

Esse foi um dos filmes mais incríveis que assisti na vida, e um dos mais tristes também. Ele conta a história real o médico Seyolo Zantoko que junto com sua família se muda do Congo para Marly-Gomont, uma pequena cidade no interiorrrrrr da França. Gente, é muito triste ver a dificuldade deles em serem aceitos. Eles são os únicos negros na cidade e são colocados totalmente à margem pela população. A família quase se despedaça, as crianças são motivos das mais diversas humilhações, a população prefere viajar para outra cidade a ser atendida por um médico negro!

Porque vale a pena?

Depois de fazer o vídeo com a Mari, a Malu e a Naira percebi que esses filmes que trazem a inclusão racial na temática são feitos para ajudar nossa cara gente branca a parar de ser mané, pois neles a gente consegue ver o que os negros já passam no dia a dia da vida real, para eles essas situações, infelizmente, não são novidades. Conhecermos uma história real de quem lutou para ser aceito simplesmente porque é negro deveria no mínimo nos fazer repensar muita coisa. A fotografia e a atuação do elenco estão lindas, e apesar do teor da história é possível dar algumas risadas com cenas como quando os parentes e amigos chegam para o natal.

Dados sobre o filme:

Data de lançamento 28 de outubro de 2016 (1h 34min);
Direção: Julien Rambaldi;
Elenco: Marc Zinga, Aïssa Maïga, Bayron Lebli;
Gêneros Drama, Biográfico;
Nacionalidade França.

2. Histórias cruzadas / The help

Esse filme conta a saga das empregadas domésticas americanas no centro-oeste americano nos anos 60, época de luta pelos direitos civis e em que movimentos como o Ku kux klan estavam a todo o vapor. É muito tenso. A história é baseada em fatos reais, e como já falei, acredito que o público alvo seja a gente branca racista e classista. Tocar o dedo na ferida mesmo, mexer com conceitos, rever posições, por favor! Paremos de ser sectários.

Porque vale a pena?

A história mexe com vários pontos comuns nas elites como a relação de ser vilidade das domésticas, o papel delas na criação das crianças. A segregação classista e racista é a linha do filme, e através dele a gente entende, por exemplo, de onde veio a cultura do bandeirinha do fundo de casa. O filme é narrado com leveza, tendo cenas cômicas, como a do pudim de chocolate, mas não se furta do debate. É comovente e chocante ao mesmo tempo, pois tem coisas que não dá para entender, para ter ideia do que estou falando, a dona de casa alienada manda a empregada embora porque ela usou o banheiro de dentro de casa em um dia que chovia torrencialmente! Mano, como assim!?

Dados sobre o filme:

Data de lançamento 3 de fevereiro de 2012 (2h 26min);
Direção: Tate Taylor;
Elenco: Emma Stone, Jessica Chastain, Viola Davis;
Gênero: Drama;
Nacionalidades EUA, Índia, Emirados Árabes Unidos.
Precisamos encarar os fatos que ainda hoje cenas como as dos filmes em questão acontecem, e não podemos mais sermos condescendentes com isso! O racismo precisa acabar, assim como o classismo e todas as formas de segregação social, ninguém é melhor que ninguém, seja pela cor da pele, orientação sexual, religiosa ou classe social, apenas paremos com isso! Reconheçamos esse ranço dentro de cada um de nós e tratemos!
O Dia da Consciência Negra não é desculpa para mais um feriado, mas é momento de debate e reflexão sobre o legado segregador que a história nos deu e de uma vez, romper com ele. A consciência branca que precisamos é a de parar de nos acharmos superiores (mesmo que conscientemente) pelo simples fato de termos menos melanina. Obrigada, de nada!
E você? Em que ponto está nesse debate, conta para mim!
Muito obrigada por acompanhar o Colcha, até quarta-feira e namastê! ❤
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  2 comentários sobre “Dois filmes para o Dia da Consciência Negra

  1. Hebert
    novembro 23, 2017 às 11:44 pm

    Boa noite!
    Achei muito interessante sua visão e considero o assunto muito importante para ser debatido e refletido por todos, principalmente por nós negros, que muitas vezes não saímos da casinha e não damos um Google para ter informações sobre taxa de mortalidade, taxa de alfabetização, representação do negro no mercado de trabalho e saber a história desse povo maravilhoso.
    Acredito qua dessa forma, buscando informações corretas possamos ter pessoas menos agressivas, mais acertivas, mais consistentes e com mais Gana e vontade de romper barreiras e ser pessoas bem sucedidas, financeira e psicologicamente.
    Parabéns por este canal aberto de debate de temas tão importantes.

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    • novembro 23, 2017 às 11:48 pm

      Oi Hebert! Obrigada por comentar, seja sempre bem vindo no Colcha, e é isso mesmo, vamos às leituras, debates e avanços… 🙏🏼✨😜

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